sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Faltas: imprudente, temerária ou com uso de força excessiva?

Acompanhando a turma do rádio e da Tv no âmbito das transmissões esportivas, constatei que há uma aluvião interminável de equívocos no momento de falar ao microfone se foi falta ou não e se o jogador que cometeu a infração é passível de cartão amarelo/vermelho. E, o pior, é visível a falta de conhecimento para definir se a infração cometida é de origem imprudente, temerária ou teve a utilização de força excessiva.

Meu alvo é o internauta/leitor. E, por isso, fui buscar a informação adequada no livro Regras do Jogo de Futebol da Fifa, para informá-lo corretamente. A Fifa diz: deverão estar presentes as seguintes situações para que uma infração seja tipificada como falta: deve ser cometida por um atleta e ocorrer no campo de jogo. Deve acontecer com a bola em jogo.

Quanto a sua tipificação, imprudente, temerária ou com uso de força excessiva, a Fifa preconiza que, a falta imprudente, ocorre quando o jogador mostra desatenção ou desconsideração na disputa da bola com um adversário, ou atua sem precaução. Quando acontecer este tipo de infração, não será necessária a punição disciplinar. 

Temerária, significa que o atleta age sem levar em consideração o risco ou as consequências contra seu adversário. O jogador que pratica esse tipo de infração deve ser advertido com cartão amarelo.

Com uso de força excessiva, significa que o jogador/infrator excedeu na força empregada, correndo o risco de lesionar seu adversário. O atleta que pratica este tipo de falta, deve ser expulso (cartão vermelho). E, finalizando a questão das faltas, a Fifa especifica que, o ato de fazer carga em um adversário, representa uma disputa por espaço físico, mas sem utilizar os braços/cotovelos, e com a bola em distância de jogo. Consiste infração, fazer carga em um adversário de maneira imprudente, temerária ou com uso de força excessiva.

PS: já está disponível e devidamente traduzido nos idiomas da Fifa, o novo livro Regras do Jogo de Futebol, versão 2011/2012. Na Europa e na Oceania o livro já chegou. No Brasil, a informação que recebi é que o livro foi traduzido e está na gráfica para impressão.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Nata dos apitadores na ativa até o fim do campeonato

Geraldo Bubniak/FutebolParanaense.net

Quem apitou, apitou. Quem não apitou não vai apitar mais. É a leitura que se pode fazer dos nomes que constam na escala da 27ª rodada do Brasileirão das Séries A e B. E, na nossa opinião, está mais do que correta a tomada de decisão da CA/CBF, que está deslocando árbitros Fifa para a Série B e até mesmo para a Série C, em algumas partidas. Tal fato ocorre, dada a sequência de equívocos que estão acontecendo de forma reiterada e causando um enorme turbilhão de reclamações junto ao setor de arbitragens da CBF. Falta qualidade aos árbitros e assistentes, e as principais responsáveis por isso, são as federações estaduais.
O grau de dificuldade dos jogos daqui para frente vai exigir muito da arbitragem, e irão sobreviver aqueles que demonstrarem capacidade efetiva nas partidas nas quais forem escalados, independente das nuances que enfrentarão. Quem tem e demonstrou um bom autocontrole, uma boa postura na aplicação dos cartões, autoridade em campo sem ser autoritário (ex. Paulo Cesar de Oliveira- foto)), presença nas jogadas em qualquer parte do campo de jogo, sobretudo nas "zonas negras", área penal e adjacências, resistência (durante os 90 minutos), velocidade (deslocamento rápido), aceleração durante o jogo, e pleno conhecimento e domínio das Regras do Jogo de Futebol, trate de aprimorar os quesitos aqui mencionados, e entre em concentração integral a partir desta rodada, porque o "bicho vai pegar".
Destaque desta rodada é a presença do bom árbitro, Fabrício Neves Correa (foto), da Federação Gaúcha de Futebol. Aliás, os gaúchos e os paulistas são detentores das duas melhores Escolas de Formação de Árbitros de excelência no Brasil. A Federação Paranaense de Futebol, que não consegue revelar um árbitro há mais de uma década, se assim desejarem seus dirigentes, poderia buscar Know how junto as entidades aqui nominadas, e melhorar a qualidade dos seus apitos.
A arbitragem brasileira está há muito sob pressão, mas nunca como nos dias atuais. Não há espaço para árbitros e assistentes meia-boca. Um bom filme para incrementar a autoestima dos homens de preto que irão atuar nas próximas rodadas do Brasileirão, é, " onde os fracos não tem vez". Confira os árbitros e as partidas abaixo.
Geraldo Bubniak/FutebolParanaense.net

Palmeiras/SP x América/MG
Árbitro: Jailson Macedo de Freitas (CBF-1/BA)

Bahia/BA x Avaí/SC
Árbitro: Sálvio Spínola Fagundes (Fifa/SP)

Fluminense/RJ x Santos/SP
Árbitro: Evandro Rogério Roman (Fifa/PR)

Figueirense/SC x Coritiba/PR
Árbitro: Wilson Luis Seneme (Fifa/SP)

Atlético/PR x Internacional/RS
Árbitro: Paulo César de Oliveira (Fifa/SP)

Vasco/RJ x Corinthians/RJ
Árbitro: Sandro Meira Ricci (Fifa/DF)

Atlético/MG x Ceará/CE
Árbitro: Francisco Carlos Nascimento (Asp/Fifa/AL)

São Paulo/SP x Flamengo/RJ
Árbitro: Fabricio Neves Correa/RS

Atlético/GO x Botafogo/RJ
Árbitro: Alicio Pena Júnior (Especial/MG)

Grêmio/RS x Cruzeiro/MG
Árbitro: Elmo Alves Resende (CBF-1/GO)

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Com professores de peso, FPF quer qualificar profissionais do futebol

Redação Justiça Desportiva


A Federação Paulista de Futebol (FPF), acompanhando a fundamental e urgente necessidade de promover e contribuir para a qualificação de treinadores, assistentes, preparadores físicos, treinadores de goleiro, coordenadores técnicos, analistas de desempenho e todos os profissionais ligados à gestão do futebol brasileiro, em parceria com a Universidade do Futebol realizará a segunda edição do Curso Master em Técnica de Campo.

Serão abordados temas atuais e de vanguarda, por um corpo docente que combina profissionais renomados e experientes e jovens inovadores de excelente formação acadêmica e profissional, com o objetivo de facilitar o aprimoramento dos conhecimentos desta modalidade, de forma crítica, integrada e ampla.
Dois nomes de peso já estão confirmados. No dia 6 de outubro, na aula magna, que é aberta para a imprensa conhecer o curso e participar, será ministrada por Carlos Alberto Parreira. Já no dia 5 de novembro haverá uma aula com o técnico Ney Franco, atualmente comandante da seleção brasileira Sub-20.
Quatro núcleos de aprendizagem serão oferecidos aos alunos: "Metodologia de Treinamento"; "Gestão de Pessoas e Plano de Carreira"; "Análise e Avaliação de Desempenho" e "Conhecimento de Apoio". Ao todo, o Curso Master em Técnica de Campo será composto por 32 módulos.
O curso ocorrerá de 6 de outubro a 26 de novembro de 2011, no prédio da Federação Paulista de Futebol, localizado no bairro da Barra Funda, na Zona Oeste de São Paulo. As inscrições já estão abertas e, quem se matricular até o dia 30 de setembro, terá desconto na adesão, saindo por R$1600. Após esse prazo, o valor sobe para R$1800. Alunos vinculados a clubes da FPF têm preços especiais.
Todas as informações do curso e a inscrição estão disponíveis no site: www.cursosfutebol.com.br

A 26ª rodada do Campeonato Brasileiro teve 54 cartões aplicados


Danilo Silveira/Justiça Desportiva


A 26ª rodada do Campeonato Brasileiro, realizada neste último fim de semana, teve ao todo 54 cartões aplicados em dez partidas. O número oscilou muitos de jogo para jogo. Alguns duelos tiveram muitos cartões, enquanto outros tiveram um número bem reduzido. Apenas a partida entre Corinthians e Bahia, no Pacaembu, teve um número médio de cartões, seis.

Duas partidas tiveram apenas dois cartões mostrados pelos árbitros. No duelo entre Flamengo
e América/MG, no Engenhão, apenas um amarelo para cada lado. No jogo entre Cruzeiro 
e Vasco, um cartão para cada equipe, mas Marquinhos Paraná levou o vermelho, sendo expulso de campo.
Além do volante cruzeirense, mais sete atletas receberam cartão vermelho. Dois do Atlético/PR, dois do Atlético/GO, um do Atlético/MG, um do Inter e um do Corinthians.
Em quatro partidas, apenas três cartões foram aplicados, com destaque para o Botafogo, 
que não levou cartão, com o São Paulo recebendo as três advertências daquela partida, no 
Rio de Janeiro. Avaí x Grêmio, Ceará x Coritiba e Santos x Figueirense foram as outras três partidas com três cartões.
A média de cartões da rodada terminou em 5,4 por conta de três partidas que tiveram um 
número elevado. 
As partidas entre Inter x Atlético/MG e Atlético/PR x Fluminense terminaram com 10 cartões, e 
Atlético/GO x Palmeiras teve 12 cartões aplicados.
Confira abaixo quantos cartões cada equipe recebeu:

- América/MG = um amarelo
- Atlético/GO = cinco amarelos e dois vermelhos
- Atlético/MG = quatro cartão e um vermelho
- Atlético/PR = quatro amarelos e dois vermelhos
- Avaí = dois amarelos
- Bahia = dois amarelos
- Botafogo = nenhum cartão
- Ceará = dois amarelos
- Corinthians = três amarelos e um vermelho
- Coritiba = um amarelo
- Cruzeiro = um vermelho
- Figueirense = dois amarelos
- Flamengo = um amarelo
- Fluminense = quatro amarelos
- Grêmio = um amarelo
- Inter = quatro amarelos e um vermelho
- Palmeiras = cinco amarelos
- São Paulo = três amarelos
- Vasco = um amarelo

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Complexo de inferioridade ou má-fé?

 A epígrafe acima, me veio a mente após o fim da partida  Atlético/PR 1 x 1 Fluminense/RJ, com  os desdobramentos lamentáveis exibidos via TV para todo o Brasil, no sábado (24), na Arena da Baixada. Explico: há um segmento que forma opinião no futebol paranaense que,  assim que  a CA/CBF designa via sorteio os árbitros para   apitar jogos das equipes do futebol do Paraná, critica a tudo e a todos. 

Se for  Leandro Pedro Vuaden (RS), é criticado, porque deixa o jogo correr à vontade e não marca qualquer tipo de falta. Se os sorteados forem Gutemberg de Paula Fonseca e Marcelo de Lima de Henrique, este segmento coloca em dúvida a qualidade de ambos, porque são cariocas e o nível  de lá é razoável.


 Se o “laureado”  for da terra da garoa, Paulo Cesar de Oliveira, o segmento formador de opinião o defenestra porque o árbitro paulista é muito rigoroso. Se o mineiro Ricardo Marques Ribeiro aportar no sorteio, é um árbitro que ainda não se firmou e suas atuações são um tanto fracas. Se os paulistas, Sálvio Spínola Fagundes  e Wilson Seneme, forem os escolhidos, o histórico de equívocos de ambos contra o futebol paranaense é extenso e o segmento em tela alerta a  todos para  “ficar de olhos abertos”, contra eles.


Se Sandro Meira Ricci do Distrito Federal, chegar aqui, alguns por premonição ou por outra razão que desconhecemos, irão  rememorar o lance  de Corinthians/SP x Cruzeiro/MG, no ano passado e o imbróglio com o técnico Alexis Stival (Cuca), que é aqui de Curitiba. Ah, ia esquecendo,  na semana do Atletiba, o maior clássico do futebol da terra dos pinherais, ao invés de falarem dos artistas do espetáculo, os atletas, o tema que ganha corpo é a arbitragem. Temos dois árbitros de excelência no Paraná, Evandro Rogério Romam e Heber Roberto Lopes, mas nenhum deles pode apitar o clássico e a pedida é para árbitro de outro estado.  


Aí, a CA/CBF designou via sorteio, Wagner Reway (foto) - (Asp/Fifa/MT), para apitar Atlético/PR x Fluminenses/RJ. Marcou dois pênaltis incontestáveis ( o  Atlético/PR desperdiçou o seu). Acrescentou cinco minutos na segunda fase, em função das seis substituições (cada substituição leva em média 30seg de acordo com a Fifa, e da entrada dos médicos das equipes para retirada dos atletas lesionados do campo de jogo),  combateu a violência, puniu o antijogo, usou o bom senso, manteve-se à esquerda da bola e da jogada, praticou a arbitragem preventiva através do olhar, da fala, dos sinais, dos gestos, manteve sua autoridade sem ser autoritário, interpretou e aplicou as Regras do Jogo de Futebol em consonância com as determinações da Fifa. Fez uma arbitragem muito boa em partida de alta complexidade. Resultado: foi defenestrado ao final do jogo. Resta-me recorrer aos antropólogos, psicológos e sociólogos para equacionar o intrínseco título acima.     

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Arbitragem paranaense volta a normalidade

Após ser aprovado no teste físico Fifa aplicado pela CA/CBF, o árbitro Evandro Rogério Romam, normatiza a situação do quadro de arbitragem da Federação Paranaense de Futebol, no que tange as escalas das competições da CBF. Desde a rodada de (nº24), o indigitado árbitro e seu compatriota Heber Roberto Lopes, voltaram a repetir a dupla que há vários anos representa de fato e de direito o que temos de ótimo no apito paranaense. E, por extensão, sepulta todas as tentativas fracassadas que foram utilizadas de diferentes maneiras, pelo setor de arbitragens da Federação Paranaense de Futebol, em indicar um novo nome como alternativa em substituição a Romam. É bom lembrar, que o setor do apito da FPF, é composto pelas mesmas pessoas pelo sétimo ano consecutivo, mesmo assim, não conseguiu até o presente instante formar e indicar um único árbitro, que preencha os requisitos para ser aspirante à Fifa.



Escala da 26ª rodada - Série A



Santos/SP x Figueirense/SC
 Árbitro: Heber Roberto Lopes (Fifa/PR)



Flamengo/RJ x América/MG

Árbitro: Guilherme Ceretta de Lima (SP/CBF-1)



Atlético/PR X Fluminense/RJ
 Wagner Reway (Asp/Fifa/MT)



Avaí/SC x Grêmio/RS
 Árbitro: Paulo Cesar de Oliveira (Fifa/SP)



Cruzeiro/MG x Vasco/RJ

Árbitro: Fabricio Neves Correa (RS)



Internacional/RS x Atlético/MG

Árbitro: Pericles Bassols Cortez (Especial/RJ)



Corinthians/SP x Bahia/BA

Árbitro: Evandro Rogério Romam (Fifa/PR)



Botafogo/RJ x São Paulo/SP

Árbitro: Sandro Meira Ricci (Fifa/DF)



Ceará/CE x Coritiba/PR

Árbitro: Marcelo de Lima Henrique (Fifa/RJ)



Atlético/GO x Palmeiras/SP
 Francisco Carlos Nascimento (Asp/Fifa/AL)



PS: Dionisio Roberto Domingos, considerado pela Fifa uma das maiores autoridades em Educação Física na atualidade, ao lado do professor Werner Helsen, o preparador físico dos árbitros da Fifa e da Uefa, foi designado como delegado especial de arbitragem, sábado, na Arena, para avaliar um dos árbitros promissores, no caso, Wagner Reway. Sua presença na confortável Arena como observador e avaliador da arbitragem, dignifica esta função que, no futebol do Paraná nos últimos tempos, vêm sendo exercida por pessoas que nunca apitaram sequer uma pelada de menino de final de rua. Isto é um descalabro!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Raio-X da arbitragem

No Couto Pereira
Além de exigir uma leitura pormenorizada, um jogo de futebol complexo e de alto nível como foi Coritiba/PR 2 x 1 Cruzeiro/MG, exigiu muita paciência, perseverança, autocontrole, frieza, imparcialidade, e muita energia sem ser autoritário. Adicione-se aos quesitos aqui elencados que, o conhecimento sobre as Regras do Jogo de Futebol e a sua correta aplicação e interpretação, foram requisitos sine qua non, que  contribuíram sobremaneira para o sucesso dessa arbitragem.

Andre Luiz de Freitas Castro (foto), (Asp/Fifa/GO), o árbitro da partida acima nominada, além de exibir todas as características mencionadas, demonstrou não ser exibicionista e com ótimo desenvolvimento da coordenação psicomotora (agilidade, destreza e flexibilidade de raciocínio), nos momentos de tomadas das decisões. Acrescento ainda, a sua arbitragem, a sua excelente acuidade visual que, sem dúvida, facilitou o domínio total dos acontecimentos na partida. Sua atuação foi excelente num jogo extremamente difícil.

PS: Wilson Luiz Seneme (Fifa/SP), vêm desenvolvendo atuações dignas de perfeição. Aliás, o  seu desempenho que temos observado nos últimos jogos, me traz à memória o Seneme, que apita as competições da Conmebol. Terá folêgo o indigitado árbitro para manter a mesma toada neste Brasileirão?



João Dias no curso da Uefa

João Dias volta a liderar a equipa de instrutores físicos num Curso da Uefa. Após a participação no “CORE 6 – Centre of Refereeing Excellence – Introductory Course”, realizado entre 26 de abril e 5 de maio de 2011, João Dias volta à sede da Uefa em Nyon (Suiça), para participar no “CORE 6 – Consolidation Course”, entre 6 e 13 de Outubro de 2011.
Este programa foi criado para promover a integração de uma equipa de arbitragem (Pré-Internacional) de cada um dos 53 países associados à Uefa. Na vertente física, os objetivos definidos neste programa visaram a planificação, monitorização e avaliação (com a utilização do relógio Polar) de todo o processo de treino, durante seis meses. No CORE 6, João Dias ficou responsável por manter um contacto permanente com os jovens árbitros (trio de arbitragem) de sete países europeus (Dinamarca, República da Irlanda, Geórgia, Sérvia, Espanha, San Marino e Eslováquia).
Depois de ter sido o único preparador físico de árbitros português a participar numa Fase Final de um Campeonato da Europa de Futebol (2004), de Futsal (2007) e do Uefa Regions Cup (2011), João Dias vai voltar a fazer história no processo de formação desportiva nacional, mantendo a confiança da UEFA para liderar uma equipa de instrutores num dos seus cursos.
Este feito é ainda mais meritório pelo facto de pertencer a um restrito grupo de seis preparadores físicos europeus (três belgas, um holandês, um português e um inglês) que desempenham estas funções nos cursos da Uefa. Este grupo é coordenado pelo responsável da metodologia de treino de árbitros de futebol da Fifa/Uefa,  professor  Werner Helsen (Bélgica).
Atual professor de Educação Física na Escola Básica Marquês de Marialva, em Cantanhede, o João Dias trabalha na arbitragem desde 2000/2001. É o responsável pela metodologia de treino e é assessor do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol, desde 2007/2008. É responsável pelo Centro de Treino de Aveiro e Coimbra da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), desde 2000/2001. Em 2006/2007, foi escolhido para liderar o Gabinete de Aperfeiçoamento Técnico da LPFP, onde criou e desenvolveu a metodologia de treino integrado para árbitros de futebol.
Para além destas funções, tem participado nos últimos anos em vários eventos nacionais e internacionais, onde tem divulgado o trabalho de formação que está a desenvolver nos Centros de Treino da LPFP.  Nos últimos dois anos, foi o representante nacional (Federação Portuguesa de Futebol) nos cursos da Fifa/Uefa “RAP – Referee Assistance Programme”, onde o trabalho que tem realizado em Portugal tem sido bastante elogiado pelos responsáveis dos dois organismos internacionais e pelos colegas de outros países.
 
Fonte: CNoticias.net/Refereetip - Mantida a grafia de Portugal











quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Para que serve a linguagem corporal?

Segundo a Fifa, a linguagem corporal é uma ferramenta que o árbitro deve usar para ajudá-lo a controlar a partida que estiver dirigindo e demonstrar sua autoridade e autocontrole. Ainda de acordo com a entidade que controla o futebol no planeta, a linguagem corporal não serve para explicar as tomadas de decisões do árbitro.
 Mattia Piffaretti
Foto: swissinfo.ch
Mas para informar melhor o leitor, fui buscar subsídios sobre o tema, com o expoente de psicologia da Uefa, o suíço Mattia Piffaretti, que em recente seminário aos árbitros europeus, expôs como o árbitro pode aperfeiçoar as suas ações dentro do campo de jogo, utilizando esse importantíssimo mecanismo.
Piffaretti aponta que, sua atividade é de semblante universal, o que implica que os árbitros têm que dirigir jogos envolvendo pessoas de diferentes culturas. A linguagem corporal pode ter sua aplicação prejudicada em partidas com torcidas que provocam grandes ruídos, o que significa que o seu impacto será atenuado.
Porém, o psicólogo da Uefa, nomina duas situações em que a linguagem corporal utilizada de forma adequada pode atingir seus objetivos: a primeira, dada a velocidade com que os atletas desenvolvem numa partida de futebol na atualidade, permite efeitos imediatos, evitando constantes interrupções no prélio, desde que   seja necessário abordar o atleta verbalmente.
A segunda, em muitas oportunidades é difícil através das palavras sensibilizar os atletas, sendo que com o uso da linguagem corporal ou de gestos como queiram, a eficácia pode ser mais objetiva.
Essa importante ferramenta preconizada por Mattia Piffaretti, deve sofrer vicissitudes em consonância com as nuances com as quais o árbitro vai se defrontar no transcorrer de uma partida. Ou seja, trata-se de uma forma de comunicação que necessita ser simultaneamente, natural e fluída, explicou o psicólogo.
Na sua assertiva sobre a aplicação da linguagem corporal, o homem que atende os árbitros da Uefa, elenca ainda que, ela exige conscientização, conhecimento cultural e inteligência emocional.
Finalizando, o psicólogo diz que a sua correta utilização permite ao árbitro estabelecer uma relação respeitosa com os jogadores dentro do campo de jogo, auxilia-o a manter a partida sob controle, transmite confiança, tranquilidade, firmeza e autoridade e até mesmo um lado humano do árbitro, por exemplo, no momento de contusão de um atleta.
De tudo o exposto, entendi que o árbitro deve utilizar a linguagem corporal como importante mecanismo para ajudá-lo na direção da partida, mas não deve exagerar e não deve em momento algum alterar a sua personalidade  de árbitro de futebol.
 

PS: A pergunta é.., se os árbitros da Federação Paranaense de Futebol , que compôe o quadro nacional da CBF, atingiram 100% no teste físico da Fifa, por que os mesmos não são escalados com frequência nas competições da CBF, a exemplo dos árbitros de outras federações? Das duas, uma:  ou é falta de qualidade ou de representatividade política no Rio de Janeiro.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Rodada do Brasileirão tem pouco mais de 50 cartões distribuídos

Evandro Romam aplicou o maior número de cartões.

Danilo Silveira/Justiça Desportiva


No quesito disciplinar, a 24ª rodada do Brasileirão, disputada neste último final de semana, não fugiu muito da normalidade. Alguns jogos com poucos cartões, outros com número elevado e a média acabou sendo de 5,3 por partida, entre as dez realizadas.


Dois times não tiveram jogadores advertidos: o São Paulo, que ainda venceu por goleada o Ceará, e o Atlético/MG, que perdeu para o Atlético/GO fora de casa. Enquanto isso, nesses duelos, a equipe cearense teve cinco jogadores amarelados e os goianos dois.

Um fato curioso é que nenhuma equipe recebeu mais que cinco cartões nessa rodada. Além do Ceará, Coritiba e Avaí também receberam cinco advertências. O Palmeiras recebeu quatro, mas chamou mais a atenção porque dois deles foram vermelhos, para Rivaldo e Gerley. Do lado catarinense, Rafael Coelho também foi expulso.
Por isso, o jogo com maior número de cartões ficou por conta de Avaí e Palmeiras, que empataram por 1 a 1 na Ressacada. Foram nove cartões distribuídos, sendo três vermelhos.
Confira abaixo quantos cartões cada equipe levou na última rodada:

- América/MG = quatro amarelos
- Atlético/GO = dois amarelos
- Atlético/MG = nenhum cartão
- Atlético/PR = dois amarelos
- Avaí = quatro amarelos e um vermelho
- Bahia = três amarelos
- Ceará = cinco amarelos
- Corinthians = dois amarelos
- Coritiba = cinco amarelos
- Cruzeiro = quatro amarelos
- Figueirense = três amarelos
- Flamengo = três amarelos
- Fluminense = três amarelos e um vermelho
- Grêmio = dois amarelos
- Inter = um amarelo
- Palmeiras = dois amarelos e dois vermelhos
- São Paulo = nenhum cartão
- Vasco = um amarelo

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Qual é o segredo dos gaúchos?

"A pergunta do analista de arbitragem, Valdir Bicudo, do Paraná Online, lançada em meio aos ventos que sopram da movimentação dentro das quatro linhas de um campo de futebol,  busca investigar as razões do sucesso dos gaúchos na história do apito brasileiro."

No ano passado, a Federação Gaúcha de Futebol perdeu dois árbitros com escudo da Fifa. Carlos Eugênio Simon, atingido pela idade limite (45) e Leonardo Gaciba, que reprovou nos testes físicos da Fifa. Na última quinta-feira, Leandro Pedro Vuaden (Fifa) e Márcio Chagas da Silva (Asp/Fifa), não atingiram o estipulado no teste físico no Rio de Janeiro,realizado pela CA/CBF, e, por conseguinte, estão temporariamente afastados de qualquer competição da CBF.

Quando todos imaginavam e este escriba também, que o Rio Grande do Sul ficaria sem representante no apito em âmbito nacional, eis que surge no jogo Atlético/PR x Figueirense/SC, o notável personagem de Fabrício Neves Correa em substituição a Leandro Pedro Vuaden e realiza uma arbitragem com laivos de excelência.

Observando a escala do meio de semana, que acontece na próxima quarta e quinta-feira, deparo-me novamente com a presença de Fabrício Neves Correa, no jogo Fluminense/RJ x Avaí/SC, e, na partida América/MG x Santos/SP, noto a designação de Jean Pierre Gonçalves Lima (foto), 32 anos, que fez sua estreia na Série A, no choque, Atlético/GO 3 x 1 Coritiba/PR.
 
Jean Pierre Gonçalves Lima
Repito o título acima: qual é o segredo dos gaúchos? Resposta: uma escola de formação de árbitros composta por profissionais de excelência. Um sindicato de árbitros que tem uma diretoria cujo interesse precípuo, visa única e exclusivamente o seu associado, no caso o árbitro de futebol, proporcionando-lhe todas as condições necessárias para que o árbitro quando deslocar-se do Rio Grande do Sul para sua principal missão, que é cumprir as Regras do Jogo de Futebol e, especialmente do seu espírito, que é punir o infrator, o faça em consonância com a determinação da Fifa.

E, por último, a interação e o reconhecimento do significado do árbitro  numa partida de futebol, e a valorização dispendida pela Federação Gaúcha de Futebol, através do seu presidente Francisco Noveletto, ao quadro de árbitros da entidade.
Andre Luiz de Freitas Castro
PS (1): o membro do Conselho fiscal da Federação Paranaense de Futebol, Savio Christani de Pádua, que nunca apitou sequer uma pelada de futebol de menino de final de rua, foi escalado pela CA/CBF, para ser o Observador de Arbitragem, no prélio Coritiba/PR xCruzeiro/MG, na quarta-feira, no Couto Pereira, que terá no apito, o ótimo Andre Luiz de Freitas Castro (foto-Asp/Fifa/GO). Ao aceitar a indicação e escalar uma pessoa sem a devida qualificação para tão sibilina missão, a CBF comete um grandíssimo equívoco, e, conspira contra um princípio básico da Fifa, que preconiza que os membros das comissões de arbitragens e observadores de árbitros, devem ser ex-árbitros com notório conhecimento sobre as Regras do Jogo de Futebol. 

PS (2): em função de ter externado opinião contrária a escalação do membro do Conselho Fiscal da Federação Paranaense de Futebol, Sávio Christani de Pádua, como Observador da Arbitragem, amanhã à noite, no Couto Pereira, no jogo Coritiba/PR x Cruzeiro/MG, recebi via e-mail o Curriculum Vitae do indigitado dirigente.É um curriculum de bom conteúdo, mas não traz um til, uma vírgula ou uma letra, que afirme que Sávio Christani de Pádua, algum dia ao longo da sua vida exerceu a função de árbitro ou que tenha ao menos cursado ou sido diplomado como árbitro de futebol. Portanto, ao escalá-lo, a CBF comete equívoco inexorável e empobrece a qualidade do árbitro brasileiro. É função precípua do observador, avaliar o procedimento e o resultado da atuação dos componentes da arbitragem no exercício das suas funções. Esta avaliação, quando realizada de maneira adequada, ou seja, por pessoas que vivenciaram ou ainda vivenciam a condição de árbitro de futebol e suas nuances, é de extrema utilidade à CA/CBF, e, por conseguinte, aos próprios avaliados. O resto é trololó.

Prioridade à educação física

"Perguntem ao ex-árbitro Leonardo Gaciba, hoje comentarista de Tv, que reprovou três vezes no teste físico da Fifa, e por isso perdeu o escudo da entidade, e aos árbitros Evandro Rogério Romam (reprovou duas vezes este ano, foi aprovado na terceira tentativa na última quinta-feira) - Leandro Pedro Vuaden,  Luiz Flávio de Oliveira e Márcio Chagas da Silva, reprovados na semana que passou no nominado teste,  a dureza que é o teste  aplicado pela CA/CBF. "
  Leandro Pedro Vuaden
 "Acredito que todos dirão que os quesitos exigidos são de excelência. Que refletem as diferentes situações que o árbitro encontra no transcurso de um jogo de futebol. Mas também ouvirá em "off", que os árbitros brasileiros não estão preparados adequadamente para enfrentá-lo. Essa triste rotina foi incorporada a cada teste físico pela CA/CBF, ao árbitro brasileiro sem que ele tenha as devidas condições de realizá-la na sua plenitude. "
                    Luiz Flávio de Oliveira
"Esqueceram-se a CA/CBF, as federações estaduais e os próprios árbitros que compõe o quadro nacional, que a velocidade e a agilidade do jogo de futebol aumentou estratosfericamente nas últimas décadas e, por isso, a rapidez, a agilidade e coordenação se tornaram "condições sine qua non" para os árbitros nas tomadas de decisões corretas numa partida.  Além de reprovar no teste físico, o árbitro e o assistente dada a falta de treinamento e acompanhamento com profissionais capacitados para o mister, sofre lesões e tem seu nome veiculado na mídia com se fosse culpado ou um réu direto pelo o acontecido."
 

             Márcio Chagas da Silva
"Passa da hora de inverter essa situação. É imperativo que a CA/CBF implemente núcleos de educação física nas cinco regiões do País, sob a sua tutela, realizando sessões mensais de treinos físicos sob as ordens de preparadores físicos com a devida  capacitação aos árbitros do quadro nacional, para quando forem submetidos ao teste, o façam em condições e da melhor forma." "O árbitro é o guardião das Regras do Jogo de Futebol, e se queremos proteger a imagem do futebol e, por extensão, os atletas, temos que proporcionar a ele, que decide num trilar do apito ou no levantar da bandeira, treinamentos físicos, técnicos, desenvolvimento do jogo (têm que ensinar o árbitro a ler o jogo que está apitando) - e, além do exposto, é imperativo que os árbitros sejam orientados por nutricionistas e aconselhados sobre a sua real condição física, sofram avaliações médicas incluindo o teste de habilidade visual, objetivando garantir que o árbitro consiga fixar os lances no campo de jogo, ou seja, tirar uma fotografia instantânea de um momento da partida, e focar possíveis situações perto ou em movimento, e tomar as decisões em conformidade com as regras."

 

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

CA/CBF, faz novo sorteio

  Rodrigo Braghetto 
A CA/CBF, divulgou nota no início desta tarde (sexta-feira), com o seguinte conteúdo: considerando os resultados da avaliação física dos árbitros e assistentes ocorrida no dia (15/09/2011), na pista de atletismo do Centro de Treinamento Celio de Barros, e da impossibilidade física dos árbitros Leandro Pedro Vuaden (reprovado), Márcio Chagas da Silva e Luiz Flavio de Oliveira lesionados, a CA/CBF para substituí-los realizou novo sorteio extraordinário de árbitros, na sala de imprensa do Centro de Treinamentos Almirante Nunes, Teresópolis/RJ. Leandro Pedro Vuaden, havia sido sorteado para apitar Atlético/PR x Figueirense/SC. Foi substituído pelo seu compatriota Fabricio Neves Correa.
                     Evandro Rogério Romam
Avaí/SC x Palmeiras/SP, seria comandado pelo gaúcho Márcio Chagas da Silva, que foi substituído por Evandro Rogério Romam (foto-Fifa/PR). E, São Caetano/SP x Americana/SP, teria a arbitragem de Luiz Flávio de Oliveira, que foi substituído por Rodrigo Braghetto (foto).

Eilo de volta

No dia 18 de março do ano em curso, no teste físico da Fifa realizado perla CA/CBF, na cidade de Londrina, aos árbitros da Federação Paranaense de Futebol, que pertencem ao quadro nacional, Evandro Rogério Roman (Fifa/PR), não compareceu. Posteriormente, em julho e setembro deste ano, o indigitado árbitro reprovou nos dois testes físicos da Fifa realizados no Rio de Janeiro e em Brasília.

Evandro Rogério Romam

Em função dos acontecimentos acima narrados por este escriba, nos sites e Blogs onde escrevo, fui interpretado como sendo contrário à arbitragem paranaense, por alguns segmentos arcaicos, tacanhos, do futebol do Paraná, incluindo parte expressiva do quadro de árbitros da FPF de maneira maldosa, e sobretudo pelos áulicos e por aqueles que não conseguem agir com independência. Segmentos esses que não conseguem romper o casulo da subserviência e sequer ultrapassar a divisa de Curitiba com o seu “modus operandi”.



Quando relatei e critiquei o ocorrido com Romam, foi no sentido de mostrar a importância de se ostentar o escudo da Fifa, e as consequências indeléveis da sua perda caso isso acontecesse. Felizmente não aconteceu. Ressalte-se de que a notícia dos fatos e as críticas além da sua pertinência, trouxeram em todas as ocasiões a preocupação de que, se houvesse a perda do escudo Fifa, o futebol paranaense não tinha ninguém à altura para substituir Evandro Rogério Romam. E a principal prova de que não temos ninguém preparado para tão difícil missão, são as escalas do campeonato brasileiro da Série A, que estão circunscritas ao personagem solitário de Heber Roberto Lopes. Não adianta ter trezentos árbitros inscritos na FPF, se a qualidade é meia-boca. Ontem, no Rio de Janeiro (15/09/2011), às 20h, na pista do complexo Celio de Barros, submetido ao derradeiro teste físico da Fifa, pela CA/CBF, Evandro Rogério Romam foi aprovado.



De tudo que foi dito, ganha o futebol do Paraná, porque mantém o escudo da Fifa num dos seus árbitros, e, por extensão, a cada rodada em que vencer o sorteio leva dois assistentes consigo. E, ganha o futebol brasileiro, porque Romam é um árbitro de ótima qualidade e de caráter moral inatacável.



PS (1): diferentemente da propaganda enganosa que graça pelo País afora, e para restabelecer a verdade informo: Evandro Rogério Romam, Heber Roberto Lopez e Roberto Braatz, foram guindados ao quadro da Fifa na gestão de Onaireves Nilo Rolim de Moura.



PS (2): não concluíram o teste físico da Fifa, ontem no Rio de Janeiro, por motivo de contusão, os árbitros Leandro Pedro Vuaden (Fifa/RS), Luiz Flávio de Oliveira (Asp/Fifa/SP) e Márcio Chagas da Silva (Asp/Fifa/RS). Isso significa que na tarde hoje, a CA/CBF irá realizar novo sorteio, para as partidas Atlético/PR x Figueirense/SC e Avaí/SC x Palmeiras/SP.


A arbitragem brasileira e suas ‘escolas’

Fonte: Blog do Leonardo Gaciba
Já pensou em criar um filho que fique com você durante oito meses do ano e após esse período vá para a casa da mãe passar os outros quatro meses? Pois é, caso não haja sintonia e critério na educação, quando voltar para seu convívio, seu filho terá adquirido hábitos diferentes!
Para quem acha que estou ficando louco falando de filhos num blog esportivo, a arbitragem brasileira é “criada” exatamente neste modelo! Durante os campeonatos regionais, os árbitros ficam sob a batuta de seus estados (salvo as raras saídas na Copa do Brasil); durante o Brasileirão, sob o comando da comissão de arbitragem da CBF.
Caso não haja sintonia entre as comissões, teremos total falta de critério para chegar a uma padronização! Infelizmente, alguns estados acham, na figura de seus diretores, que podem impor seus estilos desconsiderando as orientações da entidade maior do futebol: a Fifa!
Aliás, da própria Fifa já nasce um grande problema. A regra do futebol é interpretativa, portanto, dependendo do “capitão” que está no comando do barco, as orientações são trocadas ano a ano. Isso gera confusão e dúvidas, não só para os árbitros que aplicam a lei, como, em especial, para quem assiste a futebol. Vou dar um pequeno exemplo: durante o perído em que atuei como  árbitro, por quatro vezes foi trocada a interpretação/orientação sobre o que fazer caso um torcedor utilizasse apito na arquibancada e influenciasse na partida! Em 2008, fiz uma prova teórica e já não me recordava o que estava valendo! Hoje, caso um atleta pegue uma bola dentro da área por influência de apito na arquibancada, o árbitro deve marcar bola ao chão onde aconteceu o fato. Mas outrora deveria marcar pênalti!
Enquanto a arbitragem não for vista como um grande EMPRESA MULTINACIONAL, os problemas seguirão existindo. Ou seja, mesmo que não concordemos com as normas e interpretações determinadas pela diretoria que está no comando da arbitragem mundial, temos que segui-las para resguardar o espírito da lei. Muitas vezes não concordei com os critérios da Fifa (cartão por subir no alambrado, por exemplo) mas sempre apliquei suas leis, afinal, árbitros APLICAM A LEI, não FAZEM A LEI!
Vejamos quem apita no Brasil. 43 árbitros de 16 Estados já apitaram no Brasileirão 2011 (228 jogos).
Analise o quadro abaixo:

            

            Algumas deduções são óbvias nesta tabela. São Paulo e Rio de Janeiro, por ser os estados com maior tradição no futebol Brasileiro fornecem mais árbitros para a competição. Regionais fortes, árbitros mais experientes!
            Mas, os árbitros, dependendo de seu estado de origem, têm características individuais diferentes ou a formação influencia em seus critérios?



                                                    Vejam os dados da próxima tabela, separamos os principais estados e somamos as médias de advertências e expulsões na competição até o momento. 
                                                   São dados interessantes. Os árbitros paulistas  têm  a  menor média de advertências e a segunda menor em expulsões. Os do Rio de Janeiro são os que mais expulsam (em média) e têm a segunda maior média de cartões amarelos. Baianos são os que usam o cartão amarelo mais vezes na partida. Gaúchos e mineiros têm a menor média de expulsões.
                                                      E aí, para você, estes dados são coincidências ou retratam características diferentes dos árbitros? Divida conosco sua opinião!
             

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Um pouco de tudo...

José Borda, da Revista Árbitros, um dos maiores especialistas no tema arbitragem, entrevistou o árbitro internacional Hector Baldassi, ( Fifa/Argentina), e neste colóquio verbal nos traz uma visão ampla e irrestrita sobre a carreira do árbitro de futebol antes, durante e após o seu epílogo. O indigitado árbitro falou um pouco de tudo, sobre sua aposentadoria, sobre o seu trabalho ao longo dos anos, sobre suas memórias no futebol e muito mais. Deixou uma mensagem clara sobre o que um árbitro deve saber e fazer quando deixar o campo e realizar um bom trabalho, "O árbitro se forma de árbitro quando se retira. Todos os finais de semana você aprende algo novo.”
Rigorosa autocrítica
O argentino acrescentou: "após cada jogo vou para minha casa e faço uma auto-crítica, lembro sobre tudo que aconteceu no jogo e de como me saí. Acho que o árbitro tem que saber de tática e do jogo." O diferencial do Baldassi é que ele pode falar e ouvir. Muitas vezes leio o que escrevem em relação às arbitragens, quando a critica é positiva procuro assimilá-la, mas quando é de má fé a deixo de lado. "

Na aposentadoria
“Eu disse que tenho dia de aposentadoria. Não pensei ainda, mas eu sei que estou perto de terminar a minha carreira. Eu continuo treinando para dirigir com maior qualidade uma partida de futebol. Isso existe, mas no aspecto físico a gente vai diminuindo. O teste exigido pela Fifa é rigoroso e o encaro sem problemas, mas sinto que algumas coisas vamos encontrando dificuldades. Essas são coisas que a gente tem que ir levando e trabalhando. Por outro lado, você sabe que ganhou credibilidade que foi conquistada ao longo dos anos "

A arbitragem é alegria
“O clássico San Martín de Burzaco x Adrogué Brown mudou a minha cabeça. Naquele momento disse a mim mesmo que deveria ser árbitro de futebol. Além desse existem outros que foram articulados, mas é difícil saber qual foi" "A AFA - Associação de Futebol Argentina, por meio da arbitragem, me deu a oportunidade de ser alguém na vida. Existem muitas alegrias que me deu. Não sou inimigo dos jornalistas, eles sabem qual é a minha maneira de pensar. Também serve para amadurecer e ouvir a opinião de jornalistas de aprender outros pontos de vista.”

Você sempre aprende
“Argentino de Quilmes com o Atlético Campana foi a minha estréia. O árbitro se gradua de árbitro quando se aposenta. Todos os finais de semana você aprende algo novo, após cada jogo vou para minha casa e faço autocrítica, lembro sobre tudo que aconteceu no jogo e de como me saí. Acho que o árbitro tem que saber de tática e do jogo. “Não sei que vou fazer depois. Espero poder levar toda a experiência para os jovens. Não depende de mim, e sim das pessoas que tratam do assunto. "
 
Fonte: José Borda/Revista Árbitros



terça-feira, 13 de setembro de 2011

Árbitros sob pressão

A pressão à arbitragem no Campeonato Brasileiro vem de todos os lados e ocorre de diversas formas
Desde que foi implementado no futebol pelo International Board e a Fifa o personagem “árbitro de futebol”, e lhe foi outorgado o direito de ser o único no retângulo verde com poderes de decidir sobre fatos relacionados ao jogo, incluindo o fato de um gol ter sido consignado ou não e o resultado da partida, serem definitivas, àquele que exerce essa função passou a conviver sob fortíssima tensão. E a pressão vem de todos os lados, independente da etnia, do extrato social, cultural, ou o local onde é disputada a partida. Pressão que ocorre de formas diversificadas. Verbal, física e, sobretudo na era da globalização, via mídia esportiva.
Pressão que tem como autores distintos personagens do futebol, incluindo cartolas, atletas, técnicos, médicos, preparadores físicos e torcedores. Feito este preâmbulo, entendo que esse ardil faz parte do cotidiano da bola. Mas não lembro ter observado e presenciado tamanha pressão psicológica, verbal e até mesmo física, como está acontecendo neste Brasileirão.
E que o é mais grave: a pressão que venho observando contra a arbitragem tem como propósito influenciar o trio de arbitragem nas tomadas de decisões no campo de jogo, para que determinados clubes considerados “grandes” mantenham a supremacia sobre as demais equipes que disputam a competição, ou para justificar a sequência de maus resultados de algumas equipes.
Mas além do comportamento acima nominado, não tenho conhecimento de que, os que adotam esse tipo de conduta abjeta, em algum momento tenham se inclinado a fazer qualquer movimento no sentido de aperfeiçoar a didática dos homens de preto, objetivando com isso minimizar os equívocos de arbitragem.
Diante do exposto, urge que a CA/CBF viabilize mecanismos que blindem os árbitros, os assistentes e, em específico, os quartos árbitros contra esse tipo de comportamento, orientando-os como proceder e como preencher adequadamente o documento oficial da partida, que é a súmula, objetivando impedir que nenhum ato que conspire contra a independência do árbitro e seus assistentes no campo de jogo sofra qualquer interferência.

Não existe árbitro perfeito

Considerada uma atividade complexa, a arbitragem vem desafiando, através dos anos, sempre com empolgação, aqueles que se interessam pelos seus efeitos. Já disse que a difícil missão do árbitro comporta, além do mais, em acertar a marcação em fatos diferentes de jogo para jogo, alguns consumados de forma crucial.
Assim, lembrando os novos e, principalmente, os antigos, chega-se a uma conclusão que todos, ou quase todos se nivelam. A explicação é obvia. Mesmo que o interessado se dedique 24 horas por dia no exame das Regras do Jogo de Futebol, ele não vai atuar dentro do sistema exigido, pelas naturais dificuldades que cada partida faz transbordar, sempre alinhando circunstâncias diversificadas. De consequência, é difícil dizer que tivemos um árbitro perfeito ou iremos tê-lo no futuro. Fácil então concluir que toda a peleja de futebol é uma pedreira e que dificilmente o operador do apito tem raciocínio e agilidade para encontrar os meios de enfrentá-la.
Por tudo isso, ontem, hoje ou no futuro, poderemos ter árbitros mais compenetrados, porém perfeitos como Pelé, Garrincha, Maradona e outros foram, será impossível. Essa verdade é histórica e continuará fazendo história para nós que amamos o futebol para todo o sempre.
O Brasileirão 2011, expõe algumas verdades irretocáveis no quesito arbitragem. Há um grupo de árbitros que tem hesitado no momento de tomar decisões diferenciadas nas regiões do campo de jogo, sobretudo as denominadas áreas negras, dentre elas a área penal. A ausência de uniformidade se foi falta ou não, (simulação) e os critérios na aplicação dos cartões amarelos e vermelhos é um quesito que exige um posicionamento da CA/CBF, que está reunida na Granja Comary (Teresópolis/RJ, de 12 a 15 deste mês)), realizando o último seminário do ano em curso com a confraria do apito que atua nas competições da CBF.
A atuação dos assistentes, a comunicação corporal, a visualização e o trabalho em equipe poderia ser melhor, mas devido a falta de treinamento, acompanhamento e orientação das federações estaduais têm deixado a desejar. O posicionamento do árbitro durante determinadas situações no campo de jogo, abandonando a clássica diagonal e posicionando-se mais próximo dos lances cruciais, é outra deficiência apresentada pelos homens do apito. Em função disso, observarmos árbitros se chocando com atletas ou com a bola, porque se posicionam de forma inadequada com a bola em jogo. Além disso, o erro de posicionamento está obstruindo o campo visual dos árbitros em vários jogos, incidentes individuais agressivos de atletas distantes da bola e várias infrações no interior da área penal. E por último, um índice de dificuldade acentuada nas últimas rodadas dos assistentes na marcação dos lances de impedimento. Aqui um lembrete da Fifa: um bom posicionamento e ótima concentração são fundamentais para uma margem excelente de acertos.
 PS: Heber Roberto Lopes (Fifa/PR) e Paulo Cesar de Oliveira (Fifa/SP), são os árbitros do Brasil pré-selecionados para a Copa do Mundo de 2014, que acontecerá em território brasileiro. Ambos são os melhores quadros do país na atualidade e precisam ser blindados em caráter emergencial pela CBF, sob pena de serem “linchados”, a qualquer momento em função dos equívocos que vierem cometer nas tomadas de decisões no campo de jogo. Além do exposto, é bom lembrar sobretudo a mídia esportiva, que o árbitro é humano, não é uma máquina. Por isso tem direito de errar como qualquer mortal.